2/25/2008

Quem dá mais?

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Eliane Cantanhêde

BRASÍLIA - Ao anunciar a intenção de comprar submarinos e caças e de fazer complexas parcerias com a França, o Brasil aguçou o apetite dos maiores fornecedores de armamento no mundo, a começar dos Estados Unidos e da Alemanha.

Por enquanto, os americanos reagem com diplomacia, convidando o ministro da Defesa para fazer um giro parecido com o que fez pela França e pela Rússia e conhecer o que eles estão desenvolvendo por lá. Mas os alemães estão irritados e, nos bastidores, há até a ameaça de ir às vias de direito.

Em carta a Lula, à qual a Folha teve acesso, o grupo alemão ThyssenKrupp cobrou um compromisso brasileiro: o de que fecharia um pacote de submarinos com ele em troca da construção de uma siderúrgica no Rio. Grosso modo, 1,018 bilhão dos submarinos contra 3,5 bilhões da siderúrgica.

Os alemães fizeram a parte deles e reclamam que o Brasil roeu a corda. Pior: que souberam por jornais que Nelson Jobim dá preferência para os submarinos franceses. Sentiram-se apunhalados pelas costas, até porque o programa nuclear Brasil-Alemanha tem décadas.

O que está jogado ao mar, ao ar e à cobiça dos mercados internacionais é um pacote de submarinos convencionais, tecnologia de submarinos de propulsão nuclear e a renovação da frota de caças da FAB, além de helicópteros, blindados e satélites. Jobim não diz quanto, nem quando, nem com quem, mas passa a sensação de ter aberto uma espécie de leilão. Quem dá mais?

A disputa está na fase de saber quem transfere mais e menos tecnologia. O Brasil diz que os franceses são mais compreensivos; os americanos e os alemães gritam que não. Na verdade, ninguém transfere nada nesse leilão.

Enquanto a gente discute a tapioca e os cartões corporativos, o mundo quer saber de armamento, comércio, dólares. Aliás, a coisa caminha mesmo é para euros.

Grupo alemão reclama de acordo a Lula

Eliane Cantanhêde
Colunista da Folha

O grupo alemão ThyssenKrupp enviou carta para o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, na quinta-feira passada, reclamando o cumprimento de um acordo pelo qual a empresa reformaria cinco submarinos convencionais (diesel-elétricos) e venderia dois novos para a Marinha brasileira, dando em troca a construção de uma siderúrgica em Sepetiba (RJ).

A siderúrgica, investimento de 3,5 bilhões de euros (cerca de US$ 5,20 bilhões), está quase pronta e deverá ser visitada por Lula ainda neste mês, mas o pacote de submarinos empacou. A empresa alemã diz que cumpriu sua parte, mas o Brasil, não. E reclama que soube pela imprensa do interesse brasileiros pelos submarinos Scorpene, da França.

A carta, à qual a Folha teve acesso, foi assinada por Walter Freitag, do Comitê Executivo do ThyssenKrupp. Diz que o fornecimento de submarinos de última geração da classe 214 para a Marinha "tem ligação natural" com o investimento na nova Companhia Siderúrgica do Atlântico. Ou seja: é uma contrapartida.

A carta é uma resposta ao ministro Nelson Jobim (Defesa) que dá preferência à proposta da França alegando que os franceses aceitam transferir tecnologia.
FONTE:DEFESANET

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