2/19/2008

MILITARES E A DEFESA DA AMAZÔNIA

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O processo de desmantelamento das Forças Armadas, segundo os NEOLIBERALISTAS alinhados com a Nova Ordem Mundial, tornou-se evidente a partir do término da bipolaridade.

A nova doutrina do Pentágono tenta desviar as Forças Armadas de países latino-americanos de suas nobres funções protetoras de seus Estados, ocupando-as em sustentar uma possível vocação de mobilidade das fronteiras norte-americanas.
Tal fato torna-se evidente quanto ao alto nível de aceitação dessas forças, em relação ao ambíguo papel que lhes foi imputado no combate ao narcotráfico e na “diminuição da violência”. A sociedade e os militares sabem que a violência, não somente no Rio de Janeiro, mas no país inteiro, provém principalmente da injustiça social, da concentração de riquezas, do desemprego e dos baixos salários. A entrada de armas pesadas e de tóxicos resulta da inoperância do governo federal.

No Brasil, a redução drástica do papel das Forças Armadas atinge níveis altamente preocupantes. Além dos mecanismos impostos pelo novo ordenamento internacional, permanecem latentes, ainda, algumas reminiscências de revanchismo relativas ao longo período que os militares ocuparam o Poder.

A desastrosa administração Collor, àquela época, já recebia orientação alienígena sobre a importância do esvaziamento do papel das Forças Armadas, em que pese o engodo de ter promulgado a Lei Complementar 69, de 13 de julho de 1991, que atribuía ao segmento militar importante parcela de participação no desenvolvimento nacional.

No momento, a delicada questão de “parcerias”, pleiteada pela Secretaria de Comércio Americano, no que respeita ao monopólio das comunicações e do petróleo, caminha a braços com as propostas de emenda da Constituição. Estes fatos, ao coincidirem com possível monitoração externa da Amazônia – em que se planeja a presença física de tropas na região, sob o torpe pretexto de “proteção” a grupos indígenas – obriga o Brasil a reverter a situação caótica e de penúria das nossas Forças Armadas, antes que seja tarde.

Não podemos deixar as nossas Forças Armadas transformarem-se em Milícias Populares, Guarda Costeira e Aviação sem Força, atendendo aos interesses do Primeiro Mundo.

Neste ano decisivo para o destino da nação brasileira, em que o segmento militar preocupa-se com a recente criação do Ministério da Defesa, com orçamentos reduzidos, menores do que o recomendável para garantir a manutenção de relativa soberania, o que poderá ocorrer? O seu desmantelamento irreversível, frontalmente contrário ao novo país que tanto almejamos construir.
Há que se refletir sobre o esboço de princípio fundamental que a Nova Ordem Mundial apresenta, quanto ao estabelecimento de um “sistema de soberania limitadas” sobre as áreas do planeta e sob os mais variados pretextos, o qual implica na destruição do conceito de Estado Nacional Soberano. Neste cenário, a Amazônia e seus vastos recursos naturais passariam a ser considerados como “Patrimônio da Humanidade”.
Ora, as lições extraídas dos lamentáveis acontecimentos ocorridos em Chiapas, no México, aplicam-se perfeitamente em nosso país, dada a relação que guardam com os problemas da Região IANOMANI.

Diversos grupos de antropólogos, etnólogos, ecologistas e indigenistas, em comunhão com os “centuriões da Wall Street”, principais articuladores das ONGs, buscam encetar a idéia-força de fragmentação dos Estados. Estes grupos apregoam, cínica e descaradamente, que os atuais Estados devem ser divididos de acordo com rastros raciais e étnicos, de forma a vulnerabilizar a sangria das riquezas nacionais por potências estrangeiras.

A demarcação da área IANOMANI, imposta ao então Presidente Collor, após uma negociação com o FMI, causa até hoje grande indignação no meio militar. O subsolo daquela região, além de conter jazidas de ouro, diamante, estanho, cassiterita, zinco, cobre, chumbo e fosfato, detém o privilégio de possuir o RAFIUM e o ITRIUM, minerais de altíssimo valor estratégico.

A “COUNTERPUNCH”, conhecida por divulgar documentos comprometedores do “ESTABLISHMENT” revela que o CHASE MANHATAN BANK sugeriu ao governo mexicano a eliminação dos Zapatistas, rebeldes indígenas de Chiapas – região que concentra as maiores reservas de petróleo daquele país – como meio de recuperar a confiança dos investidores.

A implementação do “Plano Colômbia”, e a questão IANOMAMI, em conjunto com a enfadonha polêmica de aquisição de equipamentos para o SIVAM e o enfraquecimento do Projeto Calha Norte, merecem uma reflexão profunda.

Sob os mantos generosos da ONU, é bem possível que, dentro em breve, os “rambos” resolvam promover “exercícios” na região “enclave”, por eles denominada “Nação Ianomami”.

A nação brasileira não deseja, por certo, exaurir cerca de US$ 1 trilhão das reservas minerais da região IANOMAMI, montante suficiente para pagar o equivalente a sete vezes o valor de nossa dívida externa. Não podemos permitir que ocorra a desvalorização do real, semelhante ao que ocorreu com o peso mexicano, e que se expropriem as riquezas da região IANOMAMI, como aconteceu em CHIAPAS. Já estamos escaldados, historicamente, quando promoveram a desnacionalização abismal da moeda brasileira frente à moeda inglesa, acompanhada da espoliação de nosso ouro.

O povo brasileiro não quer e não aceita trilhar o episódio de Chiapas. Se necessário for, vamos nos lembrar dos exemplos das guerras do século, travadas na selva (China, Pacífico e Vietnã) que não foram vencidas pelos que dispunham de maior panóplia militar, mas sim pelos que conquistaram o coração e a mente de seus habitantes. O reduzido potencial que ainda resta de nossas Forças Armadas deve permanecer alerta para a Frente Estratégica Amazônica. Neste sentido, torna-se necessário aumentar a quantidade de Organizações Militares naquela área, com contingentes bem armados e treinados.

O Brasil deve demonstrar ao mundo que a segurança do território e do espaço aéreo sobrejacente da Amazônia é perfeitamente compatível com a proteção do meio ambiente e o respeito às áreas indígenas. Afinal de contas, a ecologia e o índio constituem-se, inalienavelmente, elementos essenciais de nossa nacionalidade.

Preocupemo-nos com a nossa Amazônia antes que seja tarde demais.
O autor é Coronel-Aviador R/R


Navio-aeródromo: tamanho é documento?
Eduardo Italo Pesce

No dia 23 de agosto de 2006, a Aviação Naval brasileira estará completando 90 anos de existência. Atualmente, a Marinha do Brasil é a única da América Latina a possuir e operar um navio-aeródromo (NAe).

A versatilidade, a mobilidade e a eficácia desta classe de navio permanecem válidas no Século XXI. O NAe São Paulo, de 32.500 toneladas, recebido da França no início de 2001, veio substituir o Minas Gerais, pequeno e lento demais para operar com aeronaves de ataque A-4 Skyhawk.

No Congresso dos Estados Unidos, está em discussão uma lei determinando que a Marinha daquele país mantenha permanentemente em serviço uma força de 12 NAe. Na década de 90, o Departamento de Defesa havia realizado um estudo de análise de alternativas para o programa CVNX, posteriormente rebatizado CVN-21. O resultado foi favorável aos grandes NAe e desfavorável aos de médio ou pequeno porte.

O estudo baseou-se na premissa que dois NAe menores, operando um total de aeronaves semelhante a um NAe de maior porte, oferecem vantagens com relação a este. A análise concluiu que os NAe maiores são mais seguros e eficazes, apresentam relação custo-benefício mais favorável e têm maior capacidade de sobrevivência do que os menores, quando operam com o mesmo número total de aeronaves - inclusive no caso de aeronaves STOVL (Short Take-Off and Landing), de decolagem curta e pouso vertical.

O estudo considerou NAe capazes de operar com 40, 60 e 80 aeronaves. Por ser menos afetado pelas condições de mar e possuir um convés de vôo de grandes dimensões, com maior bordo livre, um navio de porte maior opera com mais aeronaves (sejam estas convencionais ou do tipo STOVL) e proporciona mais segurança do que dois menores. É capaz de gerar maior número de surtidas com maior flexibilidade, mesmo se estiver operando com dotação de aeronaves inferior à sua capacidade total.

Um NAe capaz de operar com apenas 40 aeronaves modernas (JSF, F/A-18E/F ou similares) ficaria reduzido à defensiva, num ambiente com ameaça aérea comparável à encontrada pelos britânicos na Guerra do Atlântico Sul em 1982. Apenas navios capazes de operar com 60 ou 80 aeronaves teriam capacidade de gerar surtidas ofensivas em missões de ataque. Isto equivale a NAe com deslocamento carregado entre 60 e 80 mil toneladas (cerca de mil toneladas de deslocamento para cada aeronave embarcada).

Num cenário simulado de 28 dias, envolvendo a tomada do controle e o bloqueio do acesso do Golfo Pérsico por um regime hostil (como o Irã, por exemplo), quatro NAe com capacidade para 60 aeronaves cada um geraram um total de 4 mil surtidas de ataque, enquanto que quatro navios operando com 80 aeronaves cada um foram capazes de gerar 8 mil surtidas. A diferença de custo entre um tipo de plataforma e o outro foi de apenas 8%.

A pequena diferença deve-se ao alto custo das catapultas e do aparelho de parada, assim como da propulsão nuclear, dos equipamentos de bordo e dos sistemas de proteção passiva do casco. Se for incluído o custo da ala aérea embarcada, a diferença de custo entre os dois tipos de NAe aumenta para 13%.

Mesmo operando com uma ala aérea reduzida, de apenas 60 aeronaves, um NAe de aproximadamente 80 mil toneladas seria capaz de gerar 5.600 surtidas ofensivas, um número 40% maior do que o que seria possível num navio de 60 mil toneladas, devido ao convôo de dimensões reduzidas e ao menor número de catapultas e elevadores deste último.

Além de ser mais resistente em caso de ataque, um casco maior possui ainda o volume interno necessário para transportar maior quantidade de munição para as aeronaves e víveres para a tripulação, aumentando a autonomia do navio. No caso de um NAe com propulsão nuclear, as vantagens são ainda maiores. Este pode dar a volta ao mundo 60 vezes, antes de substituir os núcleos dos reatores, enquanto que um NAe convencional precisa ser reabastecido em qualquer travessia oceânica.

Num NAe de grande porte, a propulsão nuclear dobra a capacidade de combustível de aviação e aumenta em 30% a capacidade de munição para as aeronaves. Se fosse adotada a propulsão por turbinas a gás, cerca de 300 mil pés cúbicos de espaço a bordo seriam ocupados somente pelas tomadas de admissão de ar e pelos dutos das chaminés.

Por tais razões, a Marinha dos EUA optou pela propulsão nuclear para os seus NAe. O governo daquele país aprovou a construção das primeiras três (de um total previsto de 12) unidades da classe CVN-21, que deverá suceder à Nimitz.

As conclusões do estudo citado precisam ser vistas com cuidado, uma vez que refletem as necessidades operativas típicas da U.S. Navy, atualmente a única Marinha com capacidade de realizar operações ofensivas em todo o mundo, contando apenas com seus próprios meios.

As outras oito Marinhas (Brasil, França, Espanha, Grã-Bretanha, Índia, Itália, Rússia e Tailândia) que possuem algum tipo de NAe capaz de operar com aeronaves de asa fixa (convencionais ou STOVL) têm necessidades menos rigorosas, além de dispor de recursos bem mais limitados.

* Especialista em Relações Internacionais, professor no Centro de Produção da Uerj e pesquisador no Núcleo de Estudos Estratégicos da UFF.leu leutraix

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