2/29/2008

Bombas cluster são importantes para defesa do Brasil, diz oficial

MILITAR BRASIL WWW.MILITARBRASIL.BLOGSPOT.COM UMA PÁGINA DO LEU LEUTRAIX DE ASSUNTOS MILITARES,PARCEIRO DO BLOG DO LEU LEUTRAIX WWW.LEULEUTRAIX.BLOGSPOT.COM
As bombas ou munições cluster são importantes para a defesa estratégica do Brasil, de acordo com o major-brigadeiro Jorge Cruz de Souza e Mello, diretor de Assuntos Internacionais do Ministério da Defesa, entrevistado com exclusividade pela Folha Online.

Ele dirige o departamento que trata de assuntos ligados ao desarmamento e à não-proliferação de armas e que são discutidos em organismos internacionais. As munições cluster estão atualmente sendo discutidas pela ONU e, por isso, são gerenciadas por Mello.

Segundo ele, o país não pretende participar do processo de Oslo, que procura definir um tratado internacional para banir as munições cluster, devido às mortes e ferimento provocados na população civil por submunições que não explodem no momento do ataque.

De acordo como Mello, o Brasil está pronto para assinar o protocolo da ONU que define formas de responsabilizar os países que produzem, utilizam, estocam e transferem esse armamento, mas só considerará o assunto depois que o tratado for concretizado.

Leia a íntegra da entrevista com o major-brigadeiro Souza e Mello:

Folha Online - Qual a relevância das munições cluster para o Brasil?
Souza e Mello - Esses armamentos fazem parte da capacidade das Forças Armadas. São munições muito importantes para o nosso acervo bélico, dada sua eficiência e por permitir melhor resguardar as tropas amigas. Elas preservam ainda mais as condições de preparo e emprego das Forças Armadas, mas trazem consigo uma responsabilidade grande para o seu uso correto. Atualmente, elas são usadas dentro de um programa de treinamento.

Folha Online - Qual a posição do Ministério da Defesa sobre o uso dessas armas?
Souza e Mello - A posição do Ministério da Defesa é que os armamentos são legais e que não encontram restrições em nenhum tratado ou convenção internacional. Se for necessário, elas serão empregadas contra objetivos militares. Mas é claro que o assunto nos preocupa, entendemos que ações devem ser feitas para que se respeite o direito internacional humanitário no emprego de armamentos militares.

Folha Online - A Convenção contra Bombas Cluster afirma que 10 % das submunições falham. Esta informação é correta?
Souza e Mello - A taxa de falha é decorrente de todo o processo desenvolvimento, fabricação, utilização, estocagem. Os dados sobre armamentos utilizados dentro das condições específicas e de forma consciente levam a valores bem menores do que 10 %. Nenhuma força do mundo procura armamentos com esse índice [de falha], já que seriam caros e ineficientes.

Folha Online - De que maneira o Brasil tem participado das discussões internacionais sobre bombas cluster?"
Souza e Mello - O Brasil é signatário da Convenção sobre Certas Armas Convencionais (CCAC), sob a égide da ONU. A convenção trata de armas que podem ser lesivas a instalações ou a população civil. Dentro desta está em discussão o quinto protocolo [adotado pela convenção em novembro de 2003] -- que trata da eliminação dos Resquícios Explosivos de Guerra (REG), que permanecem no terreno e podem vir a causar danos à população. Nós estamos discutindo, dentro desse protocolo, como reduzir ou eliminar os riscos não apenas das munições cluster, mas também de outros tipos de artefatos de guerra.

Folha Online - Quando o Brasil vai assinar o quinto protocolo?
Souza e Mello - Hoje são 30 signatários, dos 94 da convenção. O Brasil está pronto para assinar o protocolo, já que as normas internas estão de acordo com as definições da convenção, incluindo as especificações do controle de qualidade das armas. O Brasil já sinalizou que se encontra em condições de assinar.

Folha Online - O Brasil pretende participar do processo de Oslo?
Souza e Mello - Acompanhamos as discussões do processo de Oslo, e participamos da convenção da ONU, que é muito anterior a de Oslo. Entendemos que o processo enfraquece o esforço da ONU em prol do desarmamento e da não-proliferação. Na convenção estão os principais atores internacionais -- Estados Unidos, Índia, Japão, Paquistão, Israel, China -- e ali nós participamos do debate. Entendemos que a ONU é o fórum adequado, mais universal, mais autêntico, legal e com maiores probabilidades de êxito para que o assunto seja tratado e obtenhamos resultados.

Folha Online - Qual será a atitude do país caso um tratado internacional para banir as bombas cluster entre em vigor?
Souza e Mello - Uma vez que qualquer decisão seja tomada, o governo brasileiro vai considerar o assunto.


Saiba mais sobre a produção de bombas cluster no Brasil

FELIPE MODENESE
Colaboração para a Folha Online

O Brasil é um dos 34 países do mundo que fabricam bombas cluster. De acordo com o Ministério da Defesa, apenas duas empresas nacionais produzem tais armamentos.

Uma delas é a Avibras Aeroespacial SA, sediada em São José dos Campos (91 km a nordeste de São Paulo), de acordo com informações fornecidas pelo major-brigadeiro Jorge Cruz de Souza e Mello, diretor de Assuntos Internacionais do Ministério da Defesa.

Segundo ele, o Astros 2 [sigla em inglês para sistema para foguete de saturação de artilharia] -- é construído pela empresa para lançar foguetes que carregam munição cluster.

Os armamentos têm uma quantidade variável de submunições, dependendo do pedido.

Além de fornecer equipamentos para o Exército Brasileiro, a Avibras já exportou o sistema Astros.

No entanto, o Ministério da Defesa diz que não possui detalhes da existência de contratos de exportação atualmente em vigência.

Outra empresa brasileira que fabrica os armamentos cluster é a Ares Aeroespacial e Defesa, sediada no município de Duque de Caxias, no Rio de Janeiro.

Segundo Mello, os armamentos são fornecidos exclusivamente para a Força Aérea Brasileira.

As bombas lança-granadas contêm ogivas com munições cluster e são usadas para lançamento por aeronave, explica o major-brigadeiro.

Os dados sobre a quantidade de produção e comercialização das munições cluster são sigilosos, de acordo com Mello. As duas empresas não responderam à solicitação da Folha Online de informações sobre a produção e comercialização de tais armamentos.

Exportação

O site da Ares apresenta descrições dos produtos bélicos usados para a defesa aérea. Uma delas delas apresenta em idioma espanhol a "cabeça carga de subprojéteis".

A arma tem 2.200 submunições com o formato de flecha. Depois de disparada, a cabeça libera as flechas após um tempo de vôo programado. "O efeito de saturação criado pelos subprojéteis é especialmente eficiente contra as concentrações de pessoas, veículos, materiais e equipamentos diversos", diz o site da empresa na internet.

O site diz ainda que a empresa ampliou seus mercados de atuação já tendo exportado para diversas nações amigas, tais como Colômbia, Chile e Venezuela.

Já o site da Avibras revela que o sistema Astros "foi provado em combate em duas grandes guerras no Golfo Pérsico, nas décadas de 80 e 90".

Em seu site na internet, a Coalizão contra as Bombas Cluster, campanha mundial contra tais armamentos, informa que a Avibras transferiu equipamentos para o Iraque, Irã e Arábia Saudita.

De acordo com o major-brigadeiro Jorge Cruz de Souza e Mello, a exportação das munições cluster é totalmente controlada. Os pedidos são enviados ao Ministério das Relações Exteriores, que analisa a "conveniência política desse armamento ir para um outro país", e também pela Ministério da Defesa, que analisa a "conveniências estratégica do comércio".
leu leutraix

0 comentários: